
Me devolve eu? Serio. Me trás de volta pra mim?
Não é justo sabia?! Essa sua capacidade natural de me ter, de chegar a qualquer hora e me levar embora assim tão facilmente. É como se eu não me pertencesse mais, como se só estivesse esperando você chegar, como se aguardasse esse momento ansiosamente. Porque eu me rendo fácil de mais com as tuas palavras, porque teu sorriso derruba qualquer pretensão minha de ficar, de não partir com você.
Desde o dia em que você apareceu levou-me embora. Não sou eu sem você. E nem sei se quero ser o que sobra de mim sem você.
Desde que assinei a minha total e completa rendição não tenho me entendido muito bem, porque parte de mim não quer mais cuidar de si, porque parte de mim não sabe mais o que dizer ou como dizer, partes e mais partes minhas estão se tornando escuras, quando eram assim tão claras. Não entendo meus pensamentos, palavras e ações. Também não espero que alguém entenda.
Devolva-me por favor! Mas embora esteja pedindo isso, uma daquelas partes esta pedindo que não o faça, que continue a me reter junto a ti e que leve-me embora de vez, que me tome como sua e me cuide, que me queira, que me ame.



Poucos entendiam o que havia levado ela aquilo. Justo ela que sempre esteve com um sorriso singelo no rosto e mantinha a sua voz acolhedora e amável. Mas não é atoa que dizem que as aparências enganam. A profunda dor que à atormentava nunca chegou a ser descoberta ate o momento de sua partida, deixando para trás rastros e perguntas pairando no ar.
Por que ela fez isso? O que a fez tomar essa decisão? O que realmente se passava na cabeça dela? Como nunca percebi isso antes?
Mas as respostas estavam lá o tempo todo pra quem quisesse ver. Porque a dor sempre esteve presente atras do seu sorriso, naquela falta de brilho em seu olhar. Naquele tom de desanimo por trás de suas palavras. No modo como ela se retirava da presença de todos pra ficar sozinha. Os olhos inchados ao acordar. As marcas pelo corpo não eram visíveis, mas esse era um o ultimo sinal a ser visto, a ultima saída para os cegos, porque os que vieram antes desse gritavam por si mesmos. Os sinais foram muitos, no entanto pra onde todos estavam olhando?
Ela se foi. Abriu suas asas imaginarias e voou pra longe, onde a dor não a alcança. Mas talvez se alguém tivesse prestado atenção naqueles malditos sinais ela ainda estivesse aqui. Talvez ela não tivesse abraçado a dor com tanta alegria. Talvez ela pudesse voltar a sorrir verdadeiramente. Mais pra onde diabos eles estavam olhando? Sinceramente não sei. Não sei o porque não ouviram os gritos silenciosos dela. E agora ficam se remoendo com perguntas.
Por que agora? Se ja é tarde e nada pode ser feito a respeito. Deviam ter feito algo a respeito antes, porque agora é tarde demais e o passado não pode voltar a ser o presente.